Recebi o "desafio da maternidade" de vĂ¡rias amigas pelo Facebook. O "desafio" consiste em copiar a seguinte mensagem:
"fui desafiada por algumas amigas a postar algumas fotos de meus filhos/ desafio maternidade/ FILHOS UMA BENĂ‡ĂƒO DE DEUS, estĂ£o ai algumas fotos de meus filhos, o dia que me tornei mĂ£e vi o quanto sou uma pessoa abençoada, ser mĂ£e Ă© maravilhoso.. Ă© um desafio diĂ¡rio.. mas Ă© o melhor de todos, amo meus filhos acima de tudo, desafio minhas amigas e grandes mamĂ£es"
Em seguida, Ă© preciso marcar algumas amigas e postar fotos com momentos felizes da maternidade.
Por dias fiquei sem responder ao desafio, mas as indicações continuavam a aparecer. Por fim decidi realmente falar sobre "O DESAFIO DA MATERNIDADE".
1. Descobrir-se grĂ¡vida
A certeza de estar grĂ¡vida Ă© uma ideia apavorante. NĂ£o sabemos exatamente o que nos espera. Sabemos que engordaremos (essa ideia tambĂ©m nos apavora) e que daremos Ă luz, mas precisar as sensações e medos vividos durante os nove meses Ă© quase indescritĂvel. Mas tentarei fazĂª-los.
HĂ¡ momentos de alegria, momentos de medo.
Os medos sĂ£o diversos.
HĂ¡ o medo de perder o bebĂª ou que algo de ruim aconteça com ele (que tenha alguma doença etc). SituaĂ§Ă£o que se agrava, principalmente, com o que outras pessoas nos falam durante e sobre a gestaĂ§Ă£o. Sempre tĂªm histĂ³rias de alguma conhecida sobre tudo, geralmente trĂ¡gicas.
HĂ¡ o medo da transformaĂ§Ă£o que ocorrerĂ¡ com o nosso corpo. E sabemos que a sociedade nos cobra a perfeiĂ§Ă£o. Vemos barrigas bonitas, mas nĂ£o nos avisam das estrias, varizes, dores terrĂveis nas costas, trombose, diabetes, pressĂ£o alta ou ainda outros males que podem nos acometer.




HĂ¡ o medo do futuro. NĂ£o sabemos o que enfrentaremos. HĂ¡ o medo de ficarmos sozinhas. HĂ¡ o medo de nĂ£o termos coragem, pois ouvimos que todas as mulheres de nossa famĂlia foram "fortes". Logo, nĂ£o podemos falhar.
HĂ¡ o medo do parto normal ou cesĂ¡reo. HĂ¡ o medo por estar grĂ¡vida.
Fora esses momentos de medo, a gravidez Ă© uma delĂcia.
SĂ£o sensações maravilhosas, mas sempre entrecortadas por pensamentos temerosos. NĂ£o hĂ¡ um bom momento que nĂ£o apareça com uma sombra de medo.
A alegria Ă© imensa quando tocamos nossa barriga e sentimos o bebĂª mexer, contudo percebemos o tamanho da barriga e pensamos "bobagens". Quando dividimos os medos que sentimos Ă© assim que nos acalmam: "Pare de pensar bobagens". O conselho funciona.
Sobrevivemos aos noves meses com certa estabilidade emocional.
2. O parto - É APAVORANTE.
Sabemos que temos de enfrentĂ¡-lo, mas confesso que tive vontade de fugir. E como todas as mulheres da minha famĂlia: fui corajosa. Ante a impossibilidade de um parto normal, a equipe mĂ©dica optou pelo parto cesĂ¡reo. Nesse tipo de parto, Ă© comum ouvirmos de muitas gestantes "senti sĂ³ uma picadinha" quando se referem Ă anestesia. Mas isso nĂ£o Ă© verdade. Apesar da delicadeza do mĂ©dico (no meu caso) Ă© desconfortĂ¡vel. AlĂ©m de ser acompanhada da ideia apavorante - a possibilidade de ficar paraplĂ©gica.

Finalmente, com a anestesia jĂ¡ aplicada sentimos que arrancam nossas estranhas. E o tempo atĂ© o bebĂª chorar Ă© uma eternidade, vem acompanhado de uma mal estar e aumento de pressĂ£o. Quando ouvimos o bebĂª chorar e nos dizem que estĂ¡ tudo bem com ele ao mesmo tempo que nos mostram o seu rostinho e o vemos em uma fraĂ§Ă£o de segundos, este Ă© realmente um momento mĂ¡gico. Logo interrompido pela sensaĂ§Ă£o de que estĂ£o colocando nossas entranhas no lugar. Em poucos minutos começamos a sentir os efeitos colaterais da anestesia: muito frio e tremores incontrolĂ¡veis.
EntĂ£o no quarto finalmente podemos olhar para nosso filho e ficar desesperada definitivamente, vem a sensaĂ§Ă£o e a certeza de que somos os responsĂ¡veis por ele. Mas como iremos criĂ¡-lo? Como educĂ¡-lo? NĂ£o sabemos nada do que teremos de fazer nos prĂ³ximos cinco minutos, no primeiro ano ou nos prĂ³ximos anos. É uma incĂ³gnita. Mas somos mĂ£es. Sobrevivemos Ă maternidade.
O real desafio Ă maternidade Ă© conseguirmos sobreviver a ela com os menores traumas possĂveis. E conseguimos. Contudo, se realmente fĂ´ssemos preparadas para uma maternidade real, tudo seria mais fĂ¡cil...
Em seguida, Ă© preciso marcar algumas amigas e postar fotos com momentos felizes da maternidade.
Por dias fiquei sem responder ao desafio, mas as indicações continuavam a aparecer. Por fim decidi realmente falar sobre "O DESAFIO DA MATERNIDADE".
1. Descobrir-se grĂ¡vida
A certeza de estar grĂ¡vida Ă© uma ideia apavorante. NĂ£o sabemos exatamente o que nos espera. Sabemos que engordaremos (essa ideia tambĂ©m nos apavora) e que daremos Ă luz, mas precisar as sensações e medos vividos durante os nove meses Ă© quase indescritĂvel. Mas tentarei fazĂª-los.
HĂ¡ momentos de alegria, momentos de medo.
Os medos sĂ£o diversos.
HĂ¡ o medo de perder o bebĂª ou que algo de ruim aconteça com ele (que tenha alguma doença etc). SituaĂ§Ă£o que se agrava, principalmente, com o que outras pessoas nos falam durante e sobre a gestaĂ§Ă£o. Sempre tĂªm histĂ³rias de alguma conhecida sobre tudo, geralmente trĂ¡gicas.
HĂ¡ o medo da transformaĂ§Ă£o que ocorrerĂ¡ com o nosso corpo. E sabemos que a sociedade nos cobra a perfeiĂ§Ă£o. Vemos barrigas bonitas, mas nĂ£o nos avisam das estrias, varizes, dores terrĂveis nas costas, trombose, diabetes, pressĂ£o alta ou ainda outros males que podem nos acometer.
HĂ¡ o medo do futuro. NĂ£o sabemos o que enfrentaremos. HĂ¡ o medo de ficarmos sozinhas. HĂ¡ o medo de nĂ£o termos coragem, pois ouvimos que todas as mulheres de nossa famĂlia foram "fortes". Logo, nĂ£o podemos falhar.
HĂ¡ o medo do parto normal ou cesĂ¡reo. HĂ¡ o medo por estar grĂ¡vida.
Fora esses momentos de medo, a gravidez Ă© uma delĂcia.
SĂ£o sensações maravilhosas, mas sempre entrecortadas por pensamentos temerosos. NĂ£o hĂ¡ um bom momento que nĂ£o apareça com uma sombra de medo.
A alegria Ă© imensa quando tocamos nossa barriga e sentimos o bebĂª mexer, contudo percebemos o tamanho da barriga e pensamos "bobagens". Quando dividimos os medos que sentimos Ă© assim que nos acalmam: "Pare de pensar bobagens". O conselho funciona.
Sobrevivemos aos noves meses com certa estabilidade emocional.
2. O parto - É APAVORANTE.
Sabemos que temos de enfrentĂ¡-lo, mas confesso que tive vontade de fugir. E como todas as mulheres da minha famĂlia: fui corajosa. Ante a impossibilidade de um parto normal, a equipe mĂ©dica optou pelo parto cesĂ¡reo. Nesse tipo de parto, Ă© comum ouvirmos de muitas gestantes "senti sĂ³ uma picadinha" quando se referem Ă anestesia. Mas isso nĂ£o Ă© verdade. Apesar da delicadeza do mĂ©dico (no meu caso) Ă© desconfortĂ¡vel. AlĂ©m de ser acompanhada da ideia apavorante - a possibilidade de ficar paraplĂ©gica.
Finalmente, com a anestesia jĂ¡ aplicada sentimos que arrancam nossas estranhas. E o tempo atĂ© o bebĂª chorar Ă© uma eternidade, vem acompanhado de uma mal estar e aumento de pressĂ£o. Quando ouvimos o bebĂª chorar e nos dizem que estĂ¡ tudo bem com ele ao mesmo tempo que nos mostram o seu rostinho e o vemos em uma fraĂ§Ă£o de segundos, este Ă© realmente um momento mĂ¡gico. Logo interrompido pela sensaĂ§Ă£o de que estĂ£o colocando nossas entranhas no lugar. Em poucos minutos começamos a sentir os efeitos colaterais da anestesia: muito frio e tremores incontrolĂ¡veis.
EntĂ£o no quarto finalmente podemos olhar para nosso filho e ficar desesperada definitivamente, vem a sensaĂ§Ă£o e a certeza de que somos os responsĂ¡veis por ele. Mas como iremos criĂ¡-lo? Como educĂ¡-lo? NĂ£o sabemos nada do que teremos de fazer nos prĂ³ximos cinco minutos, no primeiro ano ou nos prĂ³ximos anos. É uma incĂ³gnita. Mas somos mĂ£es. Sobrevivemos Ă maternidade.
O real desafio Ă maternidade Ă© conseguirmos sobreviver a ela com os menores traumas possĂveis. E conseguimos. Contudo, se realmente fĂ´ssemos preparadas para uma maternidade real, tudo seria mais fĂ¡cil...

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