Ao mestre com carinho...
Sempre falo o quanto meus professores foram importantes na minha vida e na minha história como professora.
Clésio Pedrinho Wenzel foi meu professor de Matemática por um bimestre (ou dois) na quinta série. Foi o suficiente para me ensinar muitas coisas. No início, tinha medo dele. Eu desaparecia ao lado dele (ele era alto - meus amigos insistiam em dizer que eu é que era baixinha). Tinha a voz firme e sorria pouco. Estava com dificuldades em entender como fazer o mínimo múltiplo comum. Não tinha coragem de perguntar. A prova fora marcada. Eu estudei e me lembro que me senti tão incapaz que chorei sobre o caderno. A sensação foi horrível. Chorei pela vida difícil que tinha. Chorei pela impossibilidade de aprender. Chorei de frustração. Chorei de raiva. Raiva de mim.... Raiva de tudo... Chorei compulsivamente. Raiva que emergiu em lágrimas e que borraram a página... lágrimas que enrugaram o papel.
Na manhã seguinte, cheguei cedo para estudar antes da prova. O professor já estava na sala. Constrangida, pedi se podia entrar, pois precisava estudar. Ele balançou a cabeça afirmativamente. Abri o caderno com as folhas borradas, enrugadas e riscadas com lápis tão forte que a folha tinha furos.
Eu, sentada na primeira carteira, vi o olhar curioso do professor sobre o "estado" do caderno. Por fim, ele me perguntou o que tinha acontecido com o caderno.
Baixei o olhar e, envergonhada, respondi que havia ficado com raiva, pois não tinha entendido o conteúdo e risquei o caderno. Ainda com o olhar baixo, esperei a reprimenda. E nada...
Ouvi uma gargalhada e a frase: o caderno não tem culpa. Aprender demora...
Puxou a cadeira próxima a minha carteira e me explicou a matéria com calma ...
Ali nascia um professor que eu ainda não tinha conhecido.
Um professor atento.... carinhoso... preocupado...
Mais tarde, convivi durante quatro anos, com o diretor Clésio, no CNEC. Fiz técnico em contabilidade, depois Magistério.
Foto: Formatura do Magistério - CNEC/1996
Durante os intervalos, ele ficava batendo papo com a gente...
Brincava com ele que quando eu crescesse, eu seria uma profissional tão competente quanto ele.
Ele foi um dos primeiros professores a fazer Mestrado na cidade. Quando lhe dei os parabéns, ele agradeceu e completou dizendo: e por que depois da faculdade, você não faz mestrado, hein, menina?
Isso foi meses antes de eu vir pra Floripa.
Meus sentimentos à família.
Ao eterno mestre: gratidão


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